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| Foto: Anderson Fabiano - arquivo pessoal |
Meu corpo é templo calado
de intenções e de pecados
que ouso ter, sem cuidado
e sem preceitos distintos
em meus instintos capitais...
Minha vontade tem nome,
é febre, sede que consome,
sou avareza e cobiça,
sou a gula que me atiça
muito mais que simples fome...
Tenho segredos ungidos,
tão afogados, fingidos!...
Sou da pressa a preguiça,
domino e sou submissa,
sou castidez e luxúria,
tenho virtudes e fúria.
Se provei do amor a inveja
também sei do ciúme a ira...
São veniais os meus brados,
escalo sem fé os ritos,
recito em silêncio ou gritos
meus atos de penitência,
meus gestos de contrição...
Para o orgulho, apunhalado,
não há bênção nem disfarce.
Eu recuso a outra face
mesmo quando junto as mãos...
Se minha vontade é crime
eu ponho minh’alma em grãos...
Mas não quero a penitência
dessa dor que não redime,
dessa falta que me oprime
por tantas vaidades vãs.
Quero comungar in corpus
meu cálice que transborda,
quero o indulto que conforta
o ontem de várias crenças,
a fé tão falha de hoje,
a imprecisão do amanhã....
...Pois quando estou a teu lado
nenhum desejo é pecado.
Sempre sou absolvida
e por amor, redimida
da minha intenção pagã...
nenhum desejo é pecado.
Sempre sou absolvida
e por amor, redimida
da minha intenção pagã...
Helena Chiarello
