Para os raros...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Eu queria ter coragem para transpor os medos,
enfrentar os muros e ultrapassar anseios,
sem a ferocidade acuada desse animal
que vaga por minhas estepes emocionais.

É inquieta a sensação de andar assim,
no percurso ilógico dos polos que me atraem
e com essa insuportabilidade de estar só
em meio a esse mundo de tanto e tantos!

Queria a liberdade. E maior, a cada passo.
E que a ousadia de tudo o que penso e sou
não conhecesse resignação nem fracasso
e transcendesse a voragem do tempo.

Que o sagrado e o profano que me dividem
não fossem condenação ou sentença;
que pudessem alcançar a unidade perfeita,
o avesso de mim, harmonia e redenção.

Também queria a certeza da insanidade possível
abrindo infindas saídas à sede imensa de sonhos!


...Mas só carrego o cansaço, o delírio de mil almas,
mal contidas pela frágil unidade do que sou...


______ Quem dera ver a esperança, um outro jogo de espelhos
_________ que mostrasse, iluminado, o mágico passaporte
___________ à solução interior, ao mundo só para raros...


__________
Eu queria ser um deles, reconhecer a passagem.
______ Na loucura, a liberdade. Talvez, também, a coragem...


Helena Chiarello


“Somente em seu próprio íntimo vive aquela outra realidade que você deseja”. (Herman Hesse)

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá, Helena.
Gostei muito do seu blog, na perfeita simetria entre imagem e ritmo, verso em roupagem...
Parabéns.
André Plez

ANDERSON disse...

leninha,
não consegui copiar. manda pro meu e-mail que preciso ler com a devida calma pra poder comentar. vc sabe, como poucos, que essas coisas que são paridas a partir de hesse, merecem minha máxima atenção. mais ainda, quando escorridas de sua alma.
meu carinho,
anderson fabiano

ANDERSON disse...

leninha, voltei! hesse é fogo, né? o cara conseguiu camuflar tantas verdades do viver em suas letras que nunhuma visão cartesiana conseguiu decifrar. ele e você, (nesse texto) abriram mão de ver a vida monótona que passa diante da janela e sim através do próprio experimentar. há lobos sim, insanos ou não, em cada um de nós. mas, só visíveis aos olhos dos raros. aqueles que descobriram qual era a tábua solta que permitia o acesso ao circo. e o que era o tal circo senão a própria vida, vista sem os medos cristãos?
por mais que vasculhasse suas letras não encontrei seus desconfortos. encontrei sim, uma poeta plena gritando os inconformismos como só os raros sabem fazê-lo.
meu carinho,
anderson fabiano

Talantalado disse...

Oi Helena

essa ideia de RAROS é novidade pra mim.

Pra mim, tudo isso expressa muita criatividade.

Podemos dizer que é muito revelador...