EternAmante

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal


Espera-me assim, amor meu...
Com a mesma serenidade
da certeza que te busco
e com igual necessidade.
Espera-me com paciência,
mas também com ansiedade;
com a pressa dos amantes
que se faltam e completam,
que percorrem as distâncias
guiados pela acuidade
de quem viveu muitas vidas,
mas com a tenacidade
de quem atravessa os séculos
em resposta ao chamamento
da luz de sua outra alma,
a sua outra metade.
Espera-me com a intenção
de um coração aceso,
com infinitos nos olhos
e com futuros nas mãos.
Espera-me com paixão,
com força e suavidade.
E acredita - como eu,
que o tempo é infinidade,
que a vida é cumplicidade
e que tudo, o tempo, a vida,

farão, enfim, de nós dois,
a mais completa unidade.
Espera-me assim, amor meu,
que em breve chegaremos
bem mais que ao sonho - à verdade,
àquela fusão perfeita,

à pura essência que somos:
corpo e desejo - emoção,
alma e razão - divindade...

                              
Espera-me enfim, meu amor,
                              
com o mesmo imenso ardor
                             
com que esperei por ti,
                             
por toda uma eternidade...



Helena Chiarello

Então, voar...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Divino é o momento
em que lembramos nossas asas.

E mesmo que,

por vezes,
o temor das quedas
nos faça estremecer ao voo,
lá do alto,
a contemplação:

                     O sorriso por dentro do vento,

                     a visão espantada
                     diante do milagre do infinito
                     e a certeza – esplêndida – de que,
                     muito acima de todas as razões,
                     os céus ainda acontecem...


Helena Chiarello