Apenas e quase...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Queria dizer-te tanto,
mas escaparam-me os versos.
Minhas razões abriram-se em janelas
que preferiram ver estrelas a escrevê-las.
Se os sentidos desenharam-se em rimas,
as mãos as recusaram,
descansando-se nos beirais dos sonhos.
As palavras pairaram na eternidade do instante,
até insinuaram-se e por um momento as senti,
prestes a deitarem-se em carícias sobre o papel...
Mas os versos encantaram-se em distâncias,
alçaram longos voos
e recusaram-se ao pouso breve.
Por certo o pensamento,
arrebatado e enternecido,
roubou-me o instante de dizê-los.

                     Perdoe-me trazê-los assim a ti.
                     Sonhados, apenas.
                     Escritos, quase....



Helena Chiarello

Amado meu...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Mesmo que todas as carícias 
tivessem o fogo do sol,
não seriam tão ardentes
quanto as sensações
deixadas por tuas mãos,
quando me tocam a pele...


                  E mesmo que todos os toques

                  tivessem a leveza da brisa,
                  não seriam tão suaves
                  quanto as impressões
                 deixadas por tuas palavras,
                 quando me afagam o pensamento...



Helena Chiarello