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| Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal |
Cantam no pensamento
mil poemas,
sinfônicos de letras
que jorram como notas
da orquestra
de meu imaginário.
Não são mais do que isso,
partituras deixadas ao vento,
[idealizadas]
paridas pela vontade,
pelo fértil poder de criar.
Invento-lhes o ritmo,
a cadência,
a sonoridade,
a repetição.
Ensaio os ecos de cada nota,
de cada tom.
Entoo,
respiro e suspiro
cada melodia
como se me fosse
essencial e íntima.
Nem sempre escrevo,
nem sempre consigo.
Mas no pensamento
que às vezes cala,
a palavra canta.
E eu,
[sonatíssima]
levito.
Helena Chiarello

