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| Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal |
Um poema a Neruda
Aberta em poesia e velas
a página versa as vagas
de um mar que invade as praias
da emoção sem precedentes.
Não há que ser diferente.
A tua palavra-onda
tem uma força que alaga,
maré-cheia meus sentidos
e inunda minha visão.
Tua frente à minha frente
transforma o momento em vento
e em veleiro, a emoção.
E leio,
navego e canto
e rio,
naufrago e pranto.
É a tua voz o timão.
E sinto e vago, singrando
à deriva da razão.
Parto e cais,
a tua palavra
ancora meu coração.
E escrevo pra ti,
então,
um verso afogado e louco,
enquanto em mim há tão pouco
das águas desse teu canto
e do imenso mar em tua mão...
Helena Chiarello
[Poema publicado na II Antologia "Mil Poemas para Neruda" - ed. 2011, organizada pelo poeta chileno Alfred Asís, Cónsul de Isla Negra y Litoral de los Poetas - Poetas del Mundo, .lançado no Chile. em 09/Julho/2011]

