Versos de amar e mar...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Um poema a Neruda

Aberta em poesia e velas

a página versa as vagas
de um mar que invade as praias
da emoção sem precedentes.
Não há que ser diferente.

A tua palavra-onda

tem uma força que alaga,
maré-cheia meus sentidos
e inunda minha visão.
Tua frente à minha frente
transforma o momento em vento
e em veleiro, a emoção.

                         E leio,

                         navego e canto
                         e rio,
                         naufrago e pranto.
                         É a tua voz o timão.

                         E sinto e vago, singrando

                         à deriva da razão.
                         Parto e cais,
                         a tua palavra
                         ancora meu coração.

E escrevo pra ti,

então,
um verso afogado e louco,
enquanto em mim há tão pouco
das águas desse teu canto
e do imenso mar em tua mão...


Helena Chiarello



[Poema publicado na II Antologia "Mil Poemas para Neruda" - ed. 2011, organizada pelo poeta chileno Alfred Asís, Cónsul de Isla Negra y Litoral de los Poetas - Poetas del Mundo, .lançado no Chile. em 09/Julho/2011]

Vestígios... Diamantes...

Foto: Helena Chiarello - arquivo pessoal

Vestígios...

_____________________ [Helena Chiarello]

Minha pele ainda guarda
o arrepio dos teus dedos
e meus lábios ainda mordem
a memória do teu beijo.

A lembrança - tatuada,
despida e desarrumada,
fica a contar em meu corpo,
das tuas mãos, os sinais.

E há essa esperança oca
(que reclama e quer tua boca)
tão teimosa em esquecer
o que já foi - e não é mais.

Com ousada intimidade,
hoje me toca a saudade.
(E meus compridos suspiros
são os ecos dos teus ais...)

.
.
.
Os diamantes se foram...

_____________________ [Anderson Fabiano]


Inda sinto suas mãos,
Salpicando minha pele,
Com pequenos diamantes,
Ornando meu templo
De prazeres secretos.

Os lábios conservam o gosto
Do último champanhe,
Misturado à saliva que ficou,
Impregnada num 3 X 4,
Do último beijo...

Menos mal, que seus olhos,
Só os vejo,
Quando abro os meus.
E, depois dali,
Fiz-me cego.

Há um suspiro suspenso no ar...
O último suspiro,
Do último gozo,
Da última noite
Daqueles amantes...

Depois dali,
Apenas noites nubladas,
Pequenas mentiras...
Num céu sem diamantes,
Sem estrelas na pele...